28 de out de 2010

Como cães e gatos: Marc Antony e Pussyfoot

Uma das duplas mais queridas dos desenhos animados (antigos, da boa safra). Eu nem conhecia o nome da gatinha que, pelas pesquisas que fiz, pode se chamar Pussyfoot, Cleo ou simplesmente Kitty (gatinha) mesmo.
As cenas que a maioria das pessoas gostava era quando a gatinha subia nas costas do buldogue, o Marco Antônio (em versão brasileira), e afofava. Uma graça! Lembro até hoje...
Uma pena que não encontrei, ainda, um DVD só com as historinhas deles.

25 de out de 2010

Por que as visitas não aparecem quando a casa está arrumadinha?

Deve ser alguma daquelas Leis de Murpy: se quiser que ninguém apareça na sua casa, mantenha tudo limpinho e arrumadinho.
Agora, pode ter certeza de que quando estiver tudo um caos, por limpar, fora do lugar e, principalmente, em vésperas de mudança (caixas de papelão espalhadas pela casa com o conteúdo a mostra) que vai surgir, sempre sem avisar, uma pessoa na porta:

- Oiêêê, tava passando e resolvi fazer uma visita rapidinhaaaa...

É o fim!
Haja vergonha!

23 de out de 2010

Featherbed por Laura Park

Nestes becos da Internet, que a gente chega procurando uma coisa e acaba achando outra, tão interessante que esquecemos mesmo o que de tão importante procurávamos em primeiro lugar, achei este cantinho. É de uma desenhista e fui olhando, olhando (gosto de cartuns, desenhos, charges...), quando descobri que ela, Laura Park, teve que lidar com a doença e morte de seu gato, Lewis, este ano. Me lavei e enxaguei chorando:


Tem desenhos antigos do Lewis que valem muito a pena olhar.

22 de out de 2010

Gatos na rede

Não, não, não é sobre gatos na Internet e sim sobre telas de proteção. A primeira providência para quem vai para um apartamento e têm bichos de estimação (vale para crianças pequenas também) é telar as janelas e sacadas. Um texto bem legal sobre isto eu encontrei no site do Movimento dos Protetores Independentes, vejam:
http://mopibichos.sites.uol.com.br/modelosdetela.htm

12 de out de 2010

Carta aos meus Pés, de Silmara Franco

Caros

Vamos ser sinceros: bonitos vocês não são.
Pés são como irmãos gêmeos. Brotaram juntos, nasceram no mesmo dia e hora. Carregam o estigma da alma idêntica, como aqueles bebês espelhados nos carrinhos duplos: mesmas meias, mesmos sapatos. Como é que vocês poderiam ter desenvolvido suas próprias identidades desse jeito? Logo vocês, que dão nome a tanta coisa. Pé de vento. Pé de moleque. Pé de chinelo. Pé direito. Pé de galinha. Pé de pato. Pé de meia. Toda fruta tem seu pé. Toda serra também. Tem o pé na estrada. E tem o pé na cova.
Por muito tempo eu tive vergonha de vocês. Hoje me envergonho da vergonha. Aprendi a gostar de vocês. Isso não acontece entre as pessoas? Pois então. Às vezes cismamos com fulano, o ignoramos durante anos, décadas, uma vida inteira. Para, num belo dia, constatar que não era bem assim.
Vocês são iguais aos pés de minha mãe. Pés gordos, de dedos pequenos. Exceto o fato de que os dedos dos pés de Dona Angelina, vistos de baixo, pareciam balas de coco. Os seus dedos não se parecem com bala nenhuma.
Seus dedões sempre foram esquisitos, voltados para fora, como plantas buscando o sol. Um vislumbra eternamente a minha esquerda. O outro, minha direita. Dedões paralelos, que jamais se encontrarão no infinito.
A primeira vez que tirei os sapatos na frente de um namorado foi devastador. Na sala, descalcei-me na velocidade da luz, e enfiei vocês dois embaixo da maior almofada que havia no sofá. E lá vocês ficaram, exilados.
Um dia, uma colega de trabalho, que tinha os pés mais feios do mundo, apareceu com uma sandália. Aquilo não eram pés, eram mãos. Os dedos, longuíssimos e finos, pareciam tentáculos. Fui correndo para o banheiro, tirei as botas, arranquei as meias e fiquei olhando para vocês. Tão branquinhos. Amassados pelas meias e pelas botas. Ali decidi: se ela podia, eu também.
Comecei a procurar algo para representar a grande virada em minha vida. Mas que não fosse tão radical. Afinal, meus queridos, eram anos e anos de reclusão. Foi difícil encontrar um modelo que atendesse às exigências. O namorado não compreendia como eu poderia pedir nas lojas um sapato aberto que fosse o mais fechado possível. Resultado: acabava saindo com um abotinado na sacola. Mais um. Para desespero de vocês.
Mas quem diria. Hoje eu gosto, e muito, de vocês. Continuam branquinhos. Capricho no filtro solar, para que continuem assim. Soubesse antes que uma pele branca é incrivelmente mais chique e saudável que uma esturricada, e eu não os teria submetido a tanto sofrimento na distante adolescência. Coca-cola, óleos… tudo pelo bronzeado. Que jamais aconteceu: a genética deixou claro quem manda no pedaço.
É hora de pedir perdão aos dois. Pela monotonia das botinhas, espécie de cativeiro para vocês. Por vocês não saberem, por quase três décadas, o que era um podólogo. Pela falta de carinho e atenção. Pelos bicos finos, anos a fio. E, mesmo depois da nossa reconciliação, pelos saltos imensos em pleno nono mês de gravidez.
Hoje, metidos nas rasteirinhas abertíssimas que surpreenderiam o ex-namorado, ou mesmo nas botas de bico arredondado e quase sem salto que lhes dou de presente, vocês parecem muito mais felizes. Metade dos meus cremes são para vocês. Vocês passeiam descalços, até mais do que deveriam. Aos trinta e nove anos, pintei suas unhas de vermelho – fato inédito e histórico – e vocês vibraram. Vocês padecem, ainda, da maldição dos gêmeos, mas o que se há de fazer.
Nada como nossos olhos (aliás, com esses eu também preciso ter uma conversa) para nos fazer enxergar a beleza de outra forma, dar novo sentido às coisas.
Recentemente, fiz em um de vocês uma tatuagem. Um sol, para que meu caminho seja sempre iluminado. Mas o que deveria representar o senhor dos astros ficou parecido com uma aranha. Os raios viraram as perninhas. O desenho é bonito, mas se visto, no máximo, a trinta centímetros. Como as pessoas geralmente são mais altas que isso, preciso, com frequência, dizer do que se trata. E vocês concordarão comigo: explicar tatuagem é o fim da picada.
É bom ter feito as pazes com vocês, ainda que tardiamente. E notar o quão nobres vocês são, relevando a rejeição e o esquecimento do passado, compreendendo a que ponto chegam as esquisitices femininas.
Nem os pés da Cinderela, com seus sapatinhos de cristal, seriam tão charmosos.

Um beijo em cada um.

10 de out de 2010

Oração do Samurai

I have no parents: I make the heavens and earth my parents.
I have no home: I make awareness my home.
I have no life or death: I make the tides of breathing my life and death.
I have no divine power: I make honesty my divine power.
I have no means: I make understanding my means.
I have no magic secrets: I make character my magic secret.
I have no body: I make endurance my body.
I have no eyes: I make the flash of lightening my eyes.
I have no limbs: I make promptness my limbs.
I have no ears: I make sensibility my ears.
I have no strategy: I make "un shadowed by thought" my strategy.
I have no designs: I make "seizing the opportunity by the forelock" my designs.
I have no miracles: I make right-action my miracle
I have no principles: I make adaptability to all circumstances my principles.
I have no tactics: I make emptiness and fullness my tactics.
I have no talents: I make ready wit my talent.
I have no friends: I make my mind my friend.
I have no enemy: I make carelessness my enemy.
I have no armor: I make benevolence and righteousness my armor.
I have no castle: I make immovable mind my castle.
I have no sword: I make absence of self my sword.

From an anonymous Samurai of the 14th century (http://users.bestweb.net/~om/yoga/samurai.html)

7 de out de 2010

Um Pouco de Sossego, Lya Luft

Lya Luft, do livro Pensar é Transgredir (do, materializado, Sítio Curupira)

Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.
Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma infinidade de obrigações. Muitas desnecessárias, outras impossíveis, algumas que não combinam conosco nem nos interessam.
Não há perdão nem anistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem mas questionam, os que pagam o preço de sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo menos sem alguma resistência.
O normal é ser atualizado, produtivo e bem-informado. É indispensável circular, estar enturmado. Quem não corre com a manada praticamente nem existe, se não se cuidar botam numa jaula: um animal estranho.
Acuados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo – ou em trilhas determinadas – feito hâmsteres que se alimentam de sua própria agitação.
Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença. Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo, ameaça quem leva um susto cada vez que examina sua alma.
Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não se arrumou ninguém – como se amizade ou amor se “arrumasse” em loja. Com relação a homem pode até ser libertário: enfim só, ninguém pendurado nele controlando, cobrando, chateando. Enfim, livre!
Mulher, não. Se está só, em nossa mente preconceituosa é sempre porque está abandonada: ninguém a quer.
Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Logo pensamos em depressão: quem sabe terapia e antidepressivo? Criança que não brinca ou salta nem participa de atividades frenéticas está com algum problema.
O silêncio nos assusta por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incômodas e mal resolvidas, ou se enxerga outro ângulo de nós mesmos. Nos damos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre casa, trabalho e bar, praia ou campo.
Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo além desse que paga contas, transa, ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse que afinal sou eu? Quais seus desejos e medos, seus projetos e sonhos?
No susto que essa idéia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos em casa e ligamos a televisão antes de largar a bolsa ou pasta. Não é para assistir a um programa: é pela distração.
Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconserto nosso. Com medo de ver quem – ou o que – somos, adia-se o defrontamento com nossa alma sem máscaras.
Mas, se a gente aprende a gostar um pouco de sossego, descobre – em si e no outro – regiões nem imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente ruins.
Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
- Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela a gente se refaz para voltar mais inteiro ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores.
Então, por favor, me dêem isso: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.

3 de out de 2010

Duas Almas, de Alceu Wamosy

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

 A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

 E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!
Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:

 Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...

1 de out de 2010

Síntese, de Mário Quintana

Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros? Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese.