29 de out. de 2020

Não compre, adote!

Esta pessoa que fez este vídeo, é a mesma do vídeo que consta no fim da página do blog. Acho de uma delicadeza tão grande!


25 de out. de 2020

Casa na Floresta

A gente não consegue ter tudo que imagina (nem sempre), mas carrego esta casa feita à mão dentro de mim.



Letra em português

Eu quero morar, numa casinha feita a mão… Numa floresta onde eu possa plantar o que eu quiser, e andar de pé no chão… E vou plantar abacaxi com banana, mandioca cacau batata doce feijão, palmito e um café bem bonito lá na sombra da laranja e do mamão sob a copa do coqueiro açaí abacateiro cajueiro e maracujá e lá no alto a seringueira com o guapuruvu na beira contemplando uma vista pro mar… porque Eu quero morar… numa casinha feita a mão… numa floresta onde eu possa plantar oq eu quiser, e andar de pé no chão… e vai ter trilha pro rio cachoeira e cascata no berro do tucano e canto do sabiá, no voar da borboleta a saíra bem faceira fica a espreita na procura do jantar abelha nativa fazendo colméia colhendo pra lá e pra cá... espero que tenha um fogão a lenha e muito pra que celebrar! Eu quero morar… numa casinha feita a mão… numa floresta onde eu possa plantar oq eu quiser, e andar de pé no chão… Com o cuidado do facão, apagar a ilusão de que o que é bom é o que produz demais, confiar na natureza sem manchar tua beleza com veneno e otras cosas mais ter uns oito cachorro pra fazer a festa, bem logo assim que eu chegar sem ócio ou moleza curtir com firmeza aquilo q a terra nos dá! Eu quero morar… numa casinha feita a mão… numa floresta onde eu possa plantar oq eu quiser, e andar de pé no chão…
...

Lyrics in English

Chorus: I want to live in a little house made by hand ...
In a forest where I can plant whatever I want,
and walk on barefoot…

And I'm going to plant pineapple with banana,
cassava, cocoa, sweet potato, beans,
heart of palm and a beautiful coffee
there in the shade of orange and papaya

under the coconut tree canopy, açaí*, avocado tree, cashew tree and passion fruit
and up there the rubber tree with the guapuruvu on the shore overlooking a view of the sea… because

Chorus: I want to live...

and there will be a trail to the river, waterfall and cascade, toucan and thrush,singing
in the fly of the butterfly, saíra (type of bird) so gladly lurks in search of dinner
native bee making hive, harvesting back and forth ...
I hope you have a wood stove and a lot to celebrate!

Chorus: I want to live...

With the care of the machete, erase the illusion that what is good is what produces too much,
trust nature without tarnishing your beauty with poison and other things more
having about eight dogs to pet, right as soon as I arrive
without leisure or softness, firmly enjoy what the land gives us!

Chorus: I want to live...

* Euterpe oleracea.

16 de out. de 2020

E por falar em cactos...

 Sou fã da ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata). Acho que já andei postando sobre ela. Não achava mudas em nenhum lugar, nem alguma planta que eu pudesse pegar um galho para enraizar. Faz uns meses, caminhando (antes da pandemia), vi um terreno baldio e um arbusto para fora, olhei as folhas, os espinhos e alguns frutos e *tcharan!* era a ora-pro-nóbis. Fiz uma senhora ginástica para tirar uns galhinhos, afinal, tem espinhos, é um cactos e plantei. Well...passaram discretas no inverno, mas agora estão tomando corpo.

Dizem que é muito nutritiva e, mesmo que seja  metade do que dizem, já é bastante. Cultivo fácil (repito: é um cactos!), serve de proteção para quem tem cerca (espinhos), nutritiva, abundante e tem flores lindas que eu só vi poucas neste arbusto do terreno baldio, mas era fim de floração.

Pereskia culeata em português.

Pereskia aculeata in English.

Tem vários tipos, mas as comestíves e nutritivas são a aculeata (mais comum em alimentação), a grandifolia e a bleo.



Logo em seguida identifiquei uma Pereskia grandifolia nas proximidades e também fiz mudas. Estas não sei ainda se pegaram. Enquanto não há dúvidas sobre a aculeata ser comestível, ainda não encontrei consenso sobre a grandifolia, mas é LINDA! Forma uma arvoreta e quando florida é uma beleza só.

Claro, também tem espinhos e bem piores do que a aculeata. Dá uma cerca bem protetiva e decorativa.
Aí a criatura aqui, desandou a procurar cactos comestíveis (focos de interesse). Leio aqui, leio ali e como sempre admirei os cactos, lembrei de um com flores amarelas que eu queria pegar uns galhos ou folhas. Pela beleza mesmo, minha vizinha tinha colocado no corredor e a planta bem pequena já dava flores.

Foi aí que descobri que o fruto da Brasilopuntia brasiliensis (vulgo cacto pé de mamão) também é comestível. Como estou retomando as caminhadas (com responsabilidade: máscara e correndo das pessoas hehehe), saí esta semana e fui coletar. Voltei crivada de pequenos espinhos, mas valeu a pena. Já fiz várias mudas.



E já estou de olho em outra variedade, que pode tanto ter suas folhas consumidas como legumes (no México chamam de Nopales), como sua fruta que, aqui, é vendida como o figo da índia, mas existem confusões com a Opuntia ficus indica (que é muito parecida, mas os espinhos é que dão uma diferenciada, coisas da Botânica): tuna ou palma (Opuntia cochenillifera)
...
Bem coisa de introvertida pensar em plantas espinhosas pra afastar os intrusos, né? E comestíveis que ninguém é de ferro e as coisas andam caras por aí...

6 de set. de 2020

Reflexões da quarentena 3

Sou professora e, como tudo nesta fase, estou em teletrabalho. Dou aula em uma instituição pública e, já sabia, mas fiquei muito mais consciente agora: criamos uma geração de mimados e dependentes! Não todos, a maioria. Isto não vale só para alunos, mas para todos. Boa parte das pessoas não quer se esforçar, não faz nenhuma concessão, só quer vantagens. E estas vantagens têm que ser "dadas na boca", de bandeja, sem precisar iniciativa ou trabalho duro. 
Sei que a época é difícil, alguns podem estar enfrentando problemas (doenças em casa, bem sei...) mas, por exemplo, vejam: a professora se coloca à disposição para orientar alunos em dificuldades, com dúvidas, com alguma questão. E ninguém usa deste recurso. Pior, não acontece só comigo, consultei meus colegas e isto está acontecendo em TODAS as disciplinas. Não é específico da pandemia, já acontecia, mas não a este ponto. Daí eu vejo reportagens de jovens, principalmente no interior, que têm que ir para cima de um morro para pegar Internet. Olha o esforço da criatura! E penso que muitas pessoas desperdiçam suas chances, suas oportunidades.
Não, não acho que esteja tudo perdido, até por estes exemplos de pessoas que fazem sacrifícios para estudar. Só penso que são minoria e o ponto chave é este: criou-se uma geração de mimados! Olhem o exemplo das máscaras, que não é só aqui no Brasil. Gente que não quer usar máscara, simplesmente porque ... não quer. Eu gosto de usar? Não, não gosto. Esqueci, duas vezes (!) esta semana de colocar a máscara e tive que subir meus 4 andares, sem elevador, para colocá-la. Também não gosto de escovar os dentes, mas escovo. Assim é a vida. Não é só o que a gente quer ou o que a gente gosta. 
...
Outro assunto: decidi ir para uma casa. Não vai ser O sítio, mas vai ser meu "sítio" possível, por enquanto. Tenho que esperar para ver como andam minhas moedinhas e vou. É em um condomínio mais popular, tem jardim e pátio. Já ando planejando minhas plantas e com mais uma horta vertical eu consigo maximizar o espaço. Estou anotando o que mais utilizo para plantar, assim, pelo menos, uma boa parte do que vou comer, vais ser sem veneno.
As peças são pequenas mas, hoje em dia, as construções são assim. E, digo para vocês, por mim, eu morava numa mini casa (tiny house). Não quero salão, tudo tem que ser funcional. Pouca coisa, vida simples, vida leve. Ando assim, viver a vida possível, viver em paz. O resto é o resto.
Espero, ano que vem, já poder postar sobre meu pequeno jardim hehehe
...
E, sim, as gatas estão bem. Muito parceiras! É muito deliciosos compartilhar a vida com elas!

Benta, sempre divertida. Ela é pura alegria. Curtindo um sol em nosso inverno no Rio Grande do Sul

Clara Francesca está com um problema nos olhos, na retina. Fez cirurgia e está se recuperando.

23 de ago. de 2020

Reflexões da quarentena 2

Mais alguém está tendo um surgimento de antigas memórias aí?
Gente! Estou lembrando de coisas de muito, mas muito tempo atrás e que estavam lá nas gavetas de baixo da memória.
Algumas lembranças são espontâneas, outras desencadeadas por alguma coisa.
Eu já andava, desde ano passado, tentando lembrar de algumas coisas de infância (com objetivo neuropsicológico), mas quando começou a "Grande Reclusão" comecei mesmo a lembrar: de meu ponto de vista, a guria que adorava o mundo minúsculo (formigas e outros bichinhos e plantas pequenos) de observar o chão de barriga para baixo; lugares nos quais eu morei, perfeitamente; atitudes, coisas que eu fazia; comidas, até o gosto de cada uma etc.
Uns dias atras, pelo Whatsapp, uma amiga me mandou algo sobre "infância raiz", de crianças que fincaram um prego no pé. Imediatamente lembrei de mim, saltando de uma casinha de um fundo de quintal (aquelas onde se guarda as ferramentas de jardinagem) e, de chinelo de dedo, ter pisado em um prego. Eu tinha arquivado esta lembrança. Só a menção do prego, me fez desarquivar.
Isto está acontecendo com mais gente? Será?

9 de ago. de 2020

Artes da quarentena: pães

Estes dias, sem pão em casa e sem vontade de sair, resolvi fazer pão, depois de séculos sem me aventurar nesta nobre arte.


Costumo acordar de madrugada e estava um dia bem frio. Misturei ingredientes (farinha, fermento biológico, água morninha e um pouco de açúcar), coloquei embaixo da bacia uma panela, também com água morna e, para minha surpresa, a massa cresceu! Sucesso! E eu, bem pasma, porque foi muito fácil.


O primeiro foi com farinha refinada. Ficou com um gosto daqueles pães do interior, de minha infância, que eu já não sentia mais, nem nos pães caseiros que comprei depois.


Comi com azeite de oliva. Se estivesse em um campo, pastoreando, não me sentiria deslocada.


Depois do sucesso inesperado, comecei a ficar abusada e decidi tentar fazer aqueles pãezinhos orientais que são cozidos no vapor. Fui no oráculo (Google) para me informar e testei na madrugada seguinte. Fiquei mais admirada ainda porque deu certo!


Algumas madrugadas depois e já com farinha integral, parti para uma fermentação natural. Farinha, água quase morna e um pouco de mel. Coloquei em um pote, só com a tampa por cima (sem fechar, sem lacrar) e guardei dentro do armário e olhava todos os dias para ver como estava. Dias frios, levou uns 3 ou 4 dias para fermentar. Misturei mais farinha, sovei e deixei crescer (em cima de panela com água morna, inverno, né?). E ... deu certo! Detalhe: não tenho forno, só tenho um fogareiro elétrico de uma boca. Meus pães são assados em frigideira/caçarola, fogo baixo (é boca de cerâmica, não é daqueles que tem resistência elétrica). 


Uma das tantas coisas que a quarentena tem me ensinado, ou reforçado, são as artes caseiras e o reaproveitamento. Aproveito praticamente tudo! Um retorno aos tempos do não desperdício, da paciência, do devagar, de esperar. 

Fermentação natural e recheado com queijo ralado e alecrim

2 de ago. de 2020

Reflexões da quarentena 1

Ok, ok, eu sei que tecnicamente não é este o termo, "quarentena", mas pegou e todos sabemos ao que estamos nos referindo e vou usar assim mesmo.
Enfim, segundo semestre. Continuei meu movimento de simplificação e, de certa forma, purgação. Coisas saindo para fora, física e mentalmente. Parece um acertar o passo de vida. Coisas que estavam no fundo do baú sendo colocadas na luz para se ver o que fazer com elas. Conservá-las ou deixar que se vão? Por exemplo, roupas eu já tenho só o necessário, até porque nunca tive muitas, mas ainda tenho problemas em manter somente as atitudes necessárias hehehe Quando percebo *plaft* (se é este o barulho dos comportamentos inúteis) estou fazendo uma besteira. Vejamos o lado positivo: já percebo quase imediatamente que fiz uma caca. 
Agora é exercício para pensar antes de reagir. Algumas coisas, consigo fazer. Já não sou tão reativa com e-mails, por exemplo (sim, sou fã de e-mails e preciso deles para trabalhar). Recebo, se acho absurdos ou agressivos, deixo repousarem uns dias antes de responder. Antes eu achava que era má educação não responder em seguida. Agora já percebo que é melhor responder com tino, com senso e de forma suave, mesmo que assertiva às vezes.
Este momento também nos faz pensar na impermanência de nossa passagem por aqui. Eu sempre levei a sério a pandemia, mas mesmo que não tivesse levado ela já está chegando perto. Pessoas da minha família pegaram a covid-19. Além disso, outras doenças andaram por aqui, eu digo pequenas alfinetadas da vida. Estranhamente (ou não), estou tranquila. Claro, a doença, a finitude, assustam, mas, não sei explicar bem, na medida do possível algo em mim me leva a enfrentar desta maneira. E a gente pensa no que quer viver e deixar de "legado". Isso me ajudou muito a reorientar minhas prioridades para atividades que eu quero fazer. A gente se perde em um monte de distrações e bobagenzinhas durante o dia a dia, perdendo o foco.
Apesar da situação ser originalmente ruim, podemos fazer do limão uma limonada e, com sorte até uma caipirinha ou limoncello! O que não podemos fazer é perder esta oportunidade única de um mergulho interior em nossa vida e reciclarmos tudo: faxine, organize, reordene, separe, doe, jogue fora, esqueça, reforce, aja, exercite, mude!
Uma boa semana a todes!